sexta-feira, 21 de outubro de 2011
MÍSTICO PASSEIO EM SÃO THOMÉ DAS LETRAS
" Quando sentir-se bem dentro de si mesmo
não olhe para fora."
(verso de um poema de Roberto Carlos Ferreira,
um amigo poeta)
Semeio-me em frutos sob os nevoeiros
que cercam alma e espírito.
Com os olhos limpos
espero ver o que é para mim
e tenho que me ver pequeno como sou.
Pelas estradas e ruas onde ando
me relaciono com pessoas novas.
Sem a medida letal da atmosfera egoísta
é que tento observar os rostos de todos.
As faces se apresentam em primeira instância
como máscaras das almas.
O escuro dos atos e pensamentos
é o reflexo oculto que o brilho não remonta.
A madrugada vem mesmo assim
e libera a expansão do crepúsculo.
Vou resgatar o que está oculto
no fundo do silêncio
e levar comigo para onde eu for
e com lágrimas
vou regar este novo amanhecer
para colher sorrisos
quando passar a chuva.
Sentado nessa pedra avisto ao longe
montanhas e vegetações.
Ao redor de mim os caminhões carregam pedras.
Carrego uma que não é leve nem pesada
não sinto nada em diferenciar as medidas de peso
mas me alegro em contemplar as Serras das Letras.
Agora há pouco choveu e a chuva me lembrou
que estou na primavera.
O vento balança a sede dos ramos
e vai com estultícia na direção dos cantos.
O imenso relicário da cidade
dobra-se a ele como sinos santos.
Agnes não estava em casa
no momento em que lá eu ia
ler o Bhagavad-Gita.
Por isso me sentei nessa pedra
para anotar os lances da escrita
e vi o céu sublineneblinado
às dezesseis horas em ponto
ao que tocaram os sinos.
As flores que voltaram inteiras de Cecilia
sorriam igual criança que entende a vida.
Nisso passou um menino
que levava a merenda pro seu pai nas pedras.
As lendas da cidade fascinam os visitantes
e dizem fantasias.
Mas crer para ver é coisa de um apóstolo
e os filósofos sonham com transformações.
As gotas caem nas folhas
e elas vão molhando.
começa a chover melhor é ir andando.
As lides lá do campo são dáctilas
mas que lívidos caminhos
nos levaram à fazenda.
A recepção acolhedora doce cafezinho
dá-se um sorriso como complemento.
Olhares belos do povo do campo
são caminhos imprescindíveis ao espírito.
Fui nos jardins atrás dos pólens
que somos nós.
Uma nuvem de pedras vem voando.
Seus olhos não são estávidos
qual cena surreal de um filme
musicado dentro de uma ficção.
Fundo vou em uma pedra crua
desgastada pelas chuvas.
Desbotada como o céu,
essa pedra azul
que nunca colocarei em linha reta.
Todos esses dias ásperos me fez descobrir
os segredos de alguns flocos esvoaçantes.
Música é algo que une
até quem não se dá bem.
Não se é igual com diferença
e as misteriosasperantes borboluzes
correm sob a pedra em rios de parafina,
enquanto venta muito além-barraca.
O Dragão queimou matéria de madeira
e fez uma janela olhando para o céu.
O vento e sua voz lancinante assopra mantras
e as pedras ficam pensando
olhando na direção das montanhas azuis
como aranhas de plumas
é que anda o pensamento nosso
enquanto o vento canta.
Aqui nessa cidade as pessoas
não desfilam rumo aos vales
mas vale a pena entender cada delírio.
Os sábios não diriam o que não sabem
e eu apreciei o besouro dourado
cruzando a estrada e cantando na poeira
a mesma que descemos rumo à cachoeira.
Quando decifrei o astro no céu liso
eram ilhas ilhas de estrelas
acesas como lenha na fogueira.
Depois da janta veio o chá de lírio e o vinho
e conversas eram desfiadas
e divina saborosa
alma eloquente como chuva nova.
Os amantes dessa natureza
são folhas vivas que viajam
na intensidade do nascer de sol
e o nevoeiro oceãnico-geocálido
é inerente a esta pazisagem.
E as montanhas relacionam cores
continua....
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Quando vai continuar, estou ansioso . . .
ResponderExcluirOlá meu Amigo Poeta,Linda Poesia espero a continuação, meus Parabéns!!! "Pelas estradas e ruas onde ando
ResponderExcluirme relaciono com pessoas novas.
Sem a medida letal da atmosfera egoísta
é que tento observar os rostos de todos". linda essa Estrofe me Sinto nela...Grande abraço Aline