Em seu reluzente trenó, as renas à frente, voando feliz lá vai o nosso herói cumprindo sua missão. Agora, de contrato novo com a Mike, este ano nenhuma criança do mundo vai ficar sem o seu presentinho.
Papai Noel é bom, muito bom. Ele executa a partitura da distribuição, representa o Portal da Felicidade. Um paralelo universo de vastidão de bênçãos. Ausente do futuro e do passado, seu domínio é o presente. Receber é a dádiva. Quem ganha vive. É bom sempre ganhar. Ganhar não é vencer. Ganhar é merecer.
Com a eficiência das outras translações, nosso Ótimo Velhinho acaba de entregar o penúltimo presente e prossegue majestoso piscando para as estrelas. Com a última cartinha em uma das mãos dá uma olhada no endereço de entrega e enfia a outra mão no saco para conferir o presente e percebe que o saco está vazio. Ficou mais branco do que é. Novamente enfia a mão no saco e nada encontra. Decide então abrir a cartinha e ler o pedido desta menina de oito aninhos incompletos. Dentro um papel com um desenho infantil, uma foto de sua mãe e as seguintes palavras em uma letra de quem aprendera a escrever recentemente narravam:
"Querido Papai Noel quero agradecer o presente que recebi no ano passado e falar para o senhor que este ano não quero ganhar nada para mim. Mas peço um presente para minha mãe queria que o senhor mandasse um príncipe para beijar a minha mãe pois parece que ela está adormecida não que ela não dorme mas vive triste e gostaria que eu tivesse um pai porque meu pai abandonou eu e a mamãe assim que eu nasci. O sonho nosso é ter uma família completa, perfeita e feliz Não precisa ser um príncipe igual o Brad Pitt não Papai Noel. Mas um bonzinho para ser meu papai...."
- O velhinho ainda lia mas não se conteve e a comoção o fez chorar e as suas lágrimas caindo na cartinha acenderam as letras fazendo todas as palavras brilhar e das letras subiam um vaporzinho com umas chaminhas bem fosforescentes que derretiam os flocos de neve esvoaçantes, e na foto de sua mãe, triste e desanimada, uns olhos começaram a brilhar.
Como Claus poderia realizar o desejo sentimental tão importante da menina? Ele, que lida com os simplórios sonhos de objetos de desejos meramente materiais. E agora, o que fazer para atender a um pedido do coração? Mas ele jamais negou um presente a uma criança. Nenhum. As sagas que abrangem seus contos estão aí para provar. Mas que fazer?
Foi a rena conselheira, a mais próxima do banco onde nosso herói vai majestosamente sentado, que sugeriu-lhe pedir auxílio a algum amigo nessa hora impassível.
Papai Noel pensou um pouco e achou que o que ela disse fazia sentido. Rapidinho pegou o seu tablete no embornal, ligou, entrou no site do facebook, digitou sua senha e olhando os amigos on line puxou papo com um deles:
- HO HO HO !!! FELIZ NATAL !!!
- Feliz Natal para você também. O que tá pegando Vovô? Tá ondé?
- Agora estou passando por Hong Kong. Preciso que me faça uma gentileza. Uma entrega de um presente especial.
- Onde? Com quem eu pego e a quem entrego.
- É no Brasil. Para a mãe de uma amiguinha que gosto muito.
- Você vai trazer o presente aqui?
- Não precisa, o presente já está com você.
- ?????
- É uma dessas flexinhas suas.
- Demorô.
- Estou passando um link com a foto e o endereço.
Cupido escaneou a foto com o endereço, com um pouco de melancolia seus olhos percorreram o Monte Olimpo e em seguida saiu voando. Não havia tempo a perder.
Dirceu Lindolfo
O BLOG Poetadapoesia deseja de coração um Feliz Natal e um Próspero 2012 ao Blogger, todos os seguidores e os leitores do mundo todo que incentiva e divulga.
A Poesia agradece!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
MÍSTICO PASSEIO EM SÃO THOMÉ DAS LETRAS
" Quando sentir-se bem dentro de si mesmo
não olhe para fora."
(verso de um poema de Roberto Carlos Ferreira,
um amigo poeta)
Semeio-me em frutos sob os nevoeiros
que cercam alma e espírito.
Com os olhos limpos
espero ver o que é para mim
e tenho que me ver pequeno como sou.
Pelas estradas e ruas onde ando
me relaciono com pessoas novas.
Sem a medida letal da atmosfera egoísta
é que tento observar os rostos de todos.
As faces se apresentam em primeira instância
como máscaras das almas.
O escuro dos atos e pensamentos
é o reflexo oculto que o brilho não remonta.
A madrugada vem mesmo assim
e libera a expansão do crepúsculo.
Vou resgatar o que está oculto
no fundo do silêncio
e levar comigo para onde eu for
e com lágrimas
vou regar este novo amanhecer
para colher sorrisos
quando passar a chuva.
Sentado nessa pedra avisto ao longe
montanhas e vegetações.
Ao redor de mim os caminhões carregam pedras.
Carrego uma que não é leve nem pesada
não sinto nada em diferenciar as medidas de peso
mas me alegro em contemplar as Serras das Letras.
Agora há pouco choveu e a chuva me lembrou
que estou na primavera.
O vento balança a sede dos ramos
e vai com estultícia na direção dos cantos.
O imenso relicário da cidade
dobra-se a ele como sinos santos.
Agnes não estava em casa
no momento em que lá eu ia
ler o Bhagavad-Gita.
Por isso me sentei nessa pedra
para anotar os lances da escrita
e vi o céu sublineneblinado
às dezesseis horas em ponto
ao que tocaram os sinos.
As flores que voltaram inteiras de Cecilia
sorriam igual criança que entende a vida.
Nisso passou um menino
que levava a merenda pro seu pai nas pedras.
As lendas da cidade fascinam os visitantes
e dizem fantasias.
Mas crer para ver é coisa de um apóstolo
e os filósofos sonham com transformações.
As gotas caem nas folhas
e elas vão molhando.
começa a chover melhor é ir andando.
As lides lá do campo são dáctilas
mas que lívidos caminhos
nos levaram à fazenda.
A recepção acolhedora doce cafezinho
dá-se um sorriso como complemento.
Olhares belos do povo do campo
são caminhos imprescindíveis ao espírito.
Fui nos jardins atrás dos pólens
que somos nós.
Uma nuvem de pedras vem voando.
Seus olhos não são estávidos
qual cena surreal de um filme
musicado dentro de uma ficção.
Fundo vou em uma pedra crua
desgastada pelas chuvas.
Desbotada como o céu,
essa pedra azul
que nunca colocarei em linha reta.
Todos esses dias ásperos me fez descobrir
os segredos de alguns flocos esvoaçantes.
Música é algo que une
até quem não se dá bem.
Não se é igual com diferença
e as misteriosasperantes borboluzes
correm sob a pedra em rios de parafina,
enquanto venta muito além-barraca.
O Dragão queimou matéria de madeira
e fez uma janela olhando para o céu.
O vento e sua voz lancinante assopra mantras
e as pedras ficam pensando
olhando na direção das montanhas azuis
como aranhas de plumas
é que anda o pensamento nosso
enquanto o vento canta.
Aqui nessa cidade as pessoas
não desfilam rumo aos vales
mas vale a pena entender cada delírio.
Os sábios não diriam o que não sabem
e eu apreciei o besouro dourado
cruzando a estrada e cantando na poeira
a mesma que descemos rumo à cachoeira.
Quando decifrei o astro no céu liso
eram ilhas ilhas de estrelas
acesas como lenha na fogueira.
Depois da janta veio o chá de lírio e o vinho
e conversas eram desfiadas
e divina saborosa
alma eloquente como chuva nova.
Os amantes dessa natureza
são folhas vivas que viajam
na intensidade do nascer de sol
e o nevoeiro oceãnico-geocálido
é inerente a esta pazisagem.
E as montanhas relacionam cores
continua....
A RESPEITO DA AMIZADE
A AMIZADE DEVE TER NÃO E SIM
NADA É ABSOLUTO
COM UM COMEÇO, UM MEIO E UM FIM
SE DER CURTO-CIRCUITO
ABENÇOADA ELA É PARA MIM
SE O ZELO FOR GRATUITO
É COMO A CHUVA MOLHANDO O CAPIM
SEMPRE COM BOM INTUITO
MINHA AMIZADE É FEITA ASSIM
EM MENOS DE UM MINUTO
E, SE DEPENDER DE MIM
ELA VAI DURAR MUITO
PODE ATÉ NÃO TER FIM
POR ISSO É QUE EU CUIDO
Dirceu Lindolfo
NADA É ABSOLUTO
COM UM COMEÇO, UM MEIO E UM FIM
SE DER CURTO-CIRCUITO
ABENÇOADA ELA É PARA MIM
SE O ZELO FOR GRATUITO
É COMO A CHUVA MOLHANDO O CAPIM
SEMPRE COM BOM INTUITO
MINHA AMIZADE É FEITA ASSIM
EM MENOS DE UM MINUTO
E, SE DEPENDER DE MIM
ELA VAI DURAR MUITO
PODE ATÉ NÃO TER FIM
POR ISSO É QUE EU CUIDO
Dirceu Lindolfo
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
PEQUENO POEMA PELO SORRISO
Por que a revolta
febria com o mundo
Imundo sentimento
que as pessoas sentem
quando fere o espinho
cravado no coração?
Sejamos como as rosas
que mesmo repletas de espinhos
sorriem eternamente.
Dirceu Lindolfo
do livro (*Lá vem as gotas-mel molhando a luz*)
Imundo sentimento
que as pessoas sentem
quando fere o espinho
cravado no coração?
Sejamos como as rosas
que mesmo repletas de espinhos
sorriem eternamente.
Dirceu Lindolfo
do livro (*Lá vem as gotas-mel molhando a luz*)
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
SOMBRA HORIZONTAL
A sombra horizontal felina
no muro marrom me atraindo
o ano que passa lição ensina
que o tempo vai me consumindo
Abala o ensejo e a novidade
é a tua ausência da cidade
Velocidade é sentir tão clara
lembrança de momentos tão felizes
rever em pensamentos jóias raras
e na pele do presente há cicatrizes
O momento aguardado da viagem
é o afago no abismo da miragem
A cidade sem a luz da tua aura
é noite sem fim não há aurora
um lamento um silêncio que instaura
é o passado invadindo o meu agora
Ah campeã da sensibilidade
sem você não há poesia na cidade
Sem você esta cidade é um jardim
cujo jardineiro tirou férias
e as rosas as hortências os jasmins
deixaram de sorrir ficaram sérias
Mesmo florido um jardim no abandono
é primavera em fantasia de outono
Fui na casa da Tininha ela falou:
e do céu então caía um aguaceiro
- "A Ilse foi-se embora ela mudou
está morando lá no Rio de Janeiro"
Então compreendi naquela hora
a chuva caindo é o céu que chora
Mas eu não nasci para a tristeza
preciso do sorriso pra ir seguindo
disse ao Jefferson James com certeza
para a casa da Vera - vamos subindo
Vou lhe apresentar às tuas primas
preciso me encantar com novas rimas.
>
Dirceu Lindolfo
no muro marrom me atraindo
o ano que passa lição ensina
que o tempo vai me consumindo
Abala o ensejo e a novidade
é a tua ausência da cidade
Velocidade é sentir tão clara
lembrança de momentos tão felizes
rever em pensamentos jóias raras
e na pele do presente há cicatrizes
O momento aguardado da viagem
é o afago no abismo da miragem
A cidade sem a luz da tua aura
é noite sem fim não há aurora
um lamento um silêncio que instaura
é o passado invadindo o meu agora
Ah campeã da sensibilidade
sem você não há poesia na cidade
Sem você esta cidade é um jardim
cujo jardineiro tirou férias
e as rosas as hortências os jasmins
deixaram de sorrir ficaram sérias
Mesmo florido um jardim no abandono
é primavera em fantasia de outono
Fui na casa da Tininha ela falou:
e do céu então caía um aguaceiro
- "A Ilse foi-se embora ela mudou
está morando lá no Rio de Janeiro"
Então compreendi naquela hora
a chuva caindo é o céu que chora
Mas eu não nasci para a tristeza
preciso do sorriso pra ir seguindo
disse ao Jefferson James com certeza
para a casa da Vera - vamos subindo
Vou lhe apresentar às tuas primas
preciso me encantar com novas rimas.
>
Dirceu Lindolfo
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
PAINÉIS ILUMINADOS
dedicada ao meu Amigo e
Irmão - o poeta e filósofo
Demóstenes Winstom Diogo Rosa
Mergulhai nas visões
Sinta o vento das transformações
O poder do Amor
Não implora benefícios
Dos ofícios de ilusão
No mundo há recantos disponíveis
Para todas as canções
E não há abrigo mais seguro
Que o coração da Filosofia,
Berço da Poesia,
Atalho elegante no caminho da Fé
E da União.
Os Sonhadores de hoje
Apresentam painéis iluminados
Que serão apreciados com atraso.
Mesmo que este seja
O nosso mundo hoje,
Nossas almas,
Incansáveis de justiça,
Não fazem parte da cobiça
E da desagregação da vida.
Demóstenes,
Você vai fotografar,
No quintal da eternidade
Uma nova manhã nascendo
Ainda que seja tarde.
com irmandade:
Dirceu Lindolfo
terça-feira, 9 de agosto de 2011
POESIA NÃO É PAPEL
Poesia não é papel
risada não é sorriso
avião leva pro céu
mas não leva ao paraíso
Sentimento não é ilusão
imagem não é cinema
cinema é imagem em ação
poesia não é poema
Poesia é somente o dom
que o senso dotou o artista
é o silêncio que nasce do som
é o olho brilhando sem vista
Poesia é a declamação
é a lua olhando pra mim
é a grade que não é prisão
o começo que nunca tem fim
É o laço que nunca prende
o raio que não ilumina
claridade que a treva entende
aula que a escola não ensina
Ciência que o livro não vende
metade que a vida completa
é a noite que a estrela acende
na chama da luz do Poeta
Dirceu Lindolfo
(do livro "Observando as fotos
do futuro")
risada não é sorriso
avião leva pro céu
mas não leva ao paraíso
Sentimento não é ilusão
imagem não é cinema
cinema é imagem em ação
poesia não é poema
Poesia é somente o dom
que o senso dotou o artista
é o silêncio que nasce do som
é o olho brilhando sem vista
Poesia é a declamação
é a lua olhando pra mim
é a grade que não é prisão
o começo que nunca tem fim
É o laço que nunca prende
o raio que não ilumina
claridade que a treva entende
aula que a escola não ensina
Ciência que o livro não vende
metade que a vida completa
é a noite que a estrela acende
na chama da luz do Poeta
Dirceu Lindolfo
(do livro "Observando as fotos
do futuro")
segunda-feira, 6 de junho de 2011
A BUSCA
Há uma semana atrás encontrei o seu Juca e ele me disse que foi com seu neto passear na mata e ao voltarem a sua aliança de casamento não estava em seu dedo. Ela havia ficado na mata, o que o deixou meio aborrecido. Falei a ele que poderíamos voltar lá e tentar encontrar a aliança.
Domingo combinamos de ir na busca. Nos preparamos e fomos em sua captura como quem procura uma agulha num palheiro
continua
Domingo combinamos de ir na busca. Nos preparamos e fomos em sua captura como quem procura uma agulha num palheiro
continua
sexta-feira, 11 de março de 2011
OUTRO CONTO DE NATAL
Sou músico, com todas as limitações. ANTES DE SER UM GRANDE MÚSICO, DESEJO SER UMA BOA PESSOA.
Graças a Deus sou poeta também, dizem; às vezes acredito.
Só fiz a introdução acima, para dizer que quando se está tocando é confortante saber a próxima nota a tocar.
O tempo pára numas notas quando se toca uma peça - é muito louco isto - doideira mesmo. Hoje senti isto e de agora digo que a vida que vive a gente sabe a próxima nota a tocar em nós - mas nós, hum, nem sabemos nada dessa canção - isto é incrível e admiro esta obscuridade. Um aviso de alguém para algo ou um acontecimento pode mudar a perspectiva de um dia e influir muito em nós.
Hoje é Ano Novo, estou na estrada - em boa Companhia de Reis. Abênção Padrinho - abênção Madrinha. Minha gratidão a todos irmãos e irmãs da Comunidade da Curva da Onça.
Dirceu LINDOLFO
Graças a Deus sou poeta também, dizem; às vezes acredito.
Só fiz a introdução acima, para dizer que quando se está tocando é confortante saber a próxima nota a tocar.
O tempo pára numas notas quando se toca uma peça - é muito louco isto - doideira mesmo. Hoje senti isto e de agora digo que a vida que vive a gente sabe a próxima nota a tocar em nós - mas nós, hum, nem sabemos nada dessa canção - isto é incrível e admiro esta obscuridade. Um aviso de alguém para algo ou um acontecimento pode mudar a perspectiva de um dia e influir muito em nós.
Hoje é Ano Novo, estou na estrada - em boa Companhia de Reis. Abênção Padrinho - abênção Madrinha. Minha gratidão a todos irmãos e irmãs da Comunidade da Curva da Onça.
Dirceu LINDOLFO
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
VÔO E ANDO
Dentro do espelho você já estava
mas só se viu quando olhou
e a chuva já lhe molhava
no instante em que a olhava
corra atrás do material
já o espiritual voando se alcança
eu vou mas não vôo
se voasse eu avoava
e iria rapidinho
voando pra sua casa
como não sou passarinho
eu ando não tenho asa
se tivesse ia voando
direto pra sua casa
que bom se eu fosse anjo
Deus me faria com asa
e eu podia ir voando
agora pra sua casa
Dirceu LINDOLFO
mas só se viu quando olhou
e a chuva já lhe molhava
no instante em que a olhava
corra atrás do material
já o espiritual voando se alcança
eu vou mas não vôo
se voasse eu avoava
e iria rapidinho
voando pra sua casa
como não sou passarinho
eu ando não tenho asa
se tivesse ia voando
direto pra sua casa
que bom se eu fosse anjo
Deus me faria com asa
e eu podia ir voando
agora pra sua casa
Dirceu LINDOLFO
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