quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PRIMEIRA CRÔNICA

Ante-ontem saí com uns amigos para tocar na praça. A noite lua nova resplandecia sons e a sede era tonta que sonhava com saciedade antissocial.
A praça não passa vontade. Passa os bondes, passa boiada, passarinhos. Os poetas cantando a poesia que não quer calar. A poesia calando nos corações. A música doce do violão atravessando
os canais do sonho, indo além da imaginasom.
Queria ir pra praça toda noite. Viver, colher a poesia nova que nasce na madrugada, regada com o sereno, nos canteiros de acalantos avivantes.
Blake e Vinicius e Cecilia e meus vícios literários que nunca vou deletar da minha mente que é sincera.
Qualquer primavera que me acolha estou dentro de seu momento apropriado e os lados do silêncio são direções, pode olhar à vontade, seguir ou evitar. Só não devo ficar alheio ao som, abandonar a chance de ir e tocar com meus amigos, guerreiros que combatem comigo nessa selva cheia de tigres da ganância com garras afiadas e dentes de progresso duvidoso.
Você está convidado para o próximo som. Tem coragem?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

SER E NÃO SER

Quando descobri
que ninguém é de ninguém
decidi
para meu próprio bem
não ter ciúmes de ninguém.

O amor não pode ser comprado,
alugado, nem acorrentado.

Ninguém leiloa o coração
e é ilusão
fingir ser carcereiro
da emoção de outro alguém.

Amar não é ter outro ser.
Amar é ser
e deixar o outro ser
ser e não ser de ninguém.

Dirceu Lindolfo
(do livro "Entre os olhos o novo caminho"
- inédito)