Amanheceu outro NATAL.
Depois do campinho de casa começa a mata. Fomos dar um passeio. Estava ali no campinho e Seu Juca com seu neto iam indo caminhar rumo à tapera. Me chamaram e topei, mesmo de short e camiseta (aqui vai a primeira dica - nunca vá passear na mata vestido assim, me senti como um panetone na ceia dos mosquitos - seu Juca diz que é uma limpeza que os mosquitos fazem no sangue da pessoa - uma renovação) e sandália havaiana. Mas decidimos passar na água primeiro e fomos descendo, ouvindo os sons de tangarás e outros pássaros - o tangará tem o senso de desviar o som de seu canto em direções que ele não se encontra, enganando o ouvinte quanto a sua localização.
É deslumbrante a vista de dentro da mata, tantas árvores e particularidades de cipós, flores, tanta coisa - apreciamos uma folhagem que os insetos comem e deixam nas folhas umas caligrafias com detalhes de uma diagramação que uma pessoa não faria. O neto de seu Juca coletava tudo, folhas, pedaços de sassafrás, pequenas pedrinhas que só as crianças veêm graça e andando e andando chegamos na água. Bebemos água e comemos maçãs. Fizemos um caminho entre trilha e trechos naturais, onde tentando me desviar de um espinho segurei em outro maior ainda (segunda dica - cuidado sempre, veja o que segura e onde pisa).
Nesse posto então decidimos não ir à tapera e fizemos o caminho que vai no taquaral (a taquara é uma espécie de bambu usado para fazer cestos) - até lá paramos para tirar umas tiras de imbirussu - quando chegamos comemos broto de taquara e combinamos na volta voltarmos outro dia ao taquaral e fazer uns cestos e já levar os cestos prontos - você está convidado a ir com a gente (contatos dlindolfo@hotmail.com).
A natureza apresenta ao homem a sua maravilhosa composição. Fomos como os Três Reis Magos apresentar à natureza nosso presente que foi este pequeno vôo de reconhecimento e aproveito para agradecê-la pelo acolhimento. Vou voltar. Vamos!
Dirceu LINDOLFO
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O TEMPO

A todos envolve em seu manto
e de infinitos encantos
desenvolve tramas
desde o princípio ao fim
em meio de uma invisibilidade sentida.
Tema desse poema
mais um.
Muso confuso e tão simples.
Singelo belo.
Novelo sensível contínuo
onde a realidade e a fantasia se alinham.
Mestre.
Monstro devorador de pedras homens
animais vegetais sonhos e ilusões.
Não se apressa nem se atrasa.
Arrasa.
Arranca carapuças
truca põe seis pinta o sete
vai vem fica não cansa não descansa.
Flui influi.
Escravisa e libera.
Dilacera a primavera dos cruéis.
Senhor de todos nessa vida.
És o próprio DEUS
o abstrato délico
que mata a cobra da ganância
e queima o pau da ignorância
na fogueira do destino irremediável.
Nada conterá seu caminho.
Te amo muito muito.
autor: Dirceu LINDOLFO
(do livro Entre os Olhos o Novo Caminho)
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
PRIMEIRA CRÔNICA
Ante-ontem saí com uns amigos para tocar na praça. A noite lua nova resplandecia sons e a sede era tonta que sonhava com saciedade antissocial.
A praça não passa vontade. Passa os bondes, passa boiada, passarinhos. Os poetas cantando a poesia que não quer calar. A poesia calando nos corações. A música doce do violão atravessando
os canais do sonho, indo além da imaginasom.
Queria ir pra praça toda noite. Viver, colher a poesia nova que nasce na madrugada, regada com o sereno, nos canteiros de acalantos avivantes.
Blake e Vinicius e Cecilia e meus vícios literários que nunca vou deletar da minha mente que é sincera.
Qualquer primavera que me acolha estou dentro de seu momento apropriado e os lados do silêncio são direções, pode olhar à vontade, seguir ou evitar. Só não devo ficar alheio ao som, abandonar a chance de ir e tocar com meus amigos, guerreiros que combatem comigo nessa selva cheia de tigres da ganância com garras afiadas e dentes de progresso duvidoso.
A praça não passa vontade. Passa os bondes, passa boiada, passarinhos. Os poetas cantando a poesia que não quer calar. A poesia calando nos corações. A música doce do violão atravessando
os canais do sonho, indo além da imaginasom.
Queria ir pra praça toda noite. Viver, colher a poesia nova que nasce na madrugada, regada com o sereno, nos canteiros de acalantos avivantes.
Blake e Vinicius e Cecilia e meus vícios literários que nunca vou deletar da minha mente que é sincera.
Qualquer primavera que me acolha estou dentro de seu momento apropriado e os lados do silêncio são direções, pode olhar à vontade, seguir ou evitar. Só não devo ficar alheio ao som, abandonar a chance de ir e tocar com meus amigos, guerreiros que combatem comigo nessa selva cheia de tigres da ganância com garras afiadas e dentes de progresso duvidoso.
Você está convidado para o próximo som. Tem coragem?
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
SER E NÃO SER
Quando descobri
que ninguém é de ninguém
decidi
para meu próprio bem
não ter ciúmes de ninguém.
O amor não pode ser comprado,
alugado, nem acorrentado.
Ninguém leiloa o coração
e é ilusão
fingir ser carcereiro
da emoção de outro alguém.
Amar não é ter outro ser.
Amar é ser
e deixar o outro ser
ser e não ser de ninguém.
Dirceu Lindolfo
(do livro "Entre os olhos o novo caminho"
- inédito)
que ninguém é de ninguém
decidi
para meu próprio bem
não ter ciúmes de ninguém.
O amor não pode ser comprado,
alugado, nem acorrentado.
Ninguém leiloa o coração
e é ilusão
fingir ser carcereiro
da emoção de outro alguém.
Amar não é ter outro ser.
Amar é ser
e deixar o outro ser
ser e não ser de ninguém.
Dirceu Lindolfo
(do livro "Entre os olhos o novo caminho"
- inédito)
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O PESO E A BALANÇA

com o pensamento
em JEFFERSON JAMES
Sempre te lembrarei
mesmo que você não queira
existe o fogo e a madeira
tem a viola e a enxada
existe o tudo
e não existe o nada
tem a cruz tem a espada
a flor do falso brilho da ilusão
acolhe a dor do falso brilho da paixão
há um hall de infelicidade
para cada angström de falsidade
Embora você não viva
a vida te manda embora
enquanto isto não acontece
que tal você ir vivendo
a tristeza a alegria
a noite também o dia
a solidão a companhia
as intenções as conclusões
a dúvida o otimismo
o desespero a esperança
o que sonhou o que pirou
o que parou o que balança
Há um manto invisível
sob os lamentos dos tropeços
e um ramo do impossível
na ante-câmara dos recomeços
Para entender o que passou
pra não temer o que virá
bastando o mal e o bem
o quem sabe e o amém
só o de hoje porém
o de ontem já era
o de amanhã, bem espera
o deserto e a primavera
o doce e o salgadinho
o suco e o uisquinho
a tv e o radinho
a balada e o rock`n`roll
a town e a capital
o diabo e Deus
os fiéis e os ateus
A balança pesa
mas não é preciso carregá-la
Você não fugirá
e verá se viver
você aprenderá nos seus dias
e se espantará
com a amizade o dinheiro
a dignidade a riqueza
a bondade a malvadeza
a inveja a beleza
a fala mansa da paz
os gritos loucos da guerra
a água o fogo
o ar e a terra
não liga não
não desliga não
DO LIVRO: "Lá vem as gotas-mel molhando a luz" (Livro inédito)
AUTOR: Dirceu LINDOLFO
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
PEQUENO POEMA PELO SORRISO
Por quê a revolta febria com o mundo
imundo sentimento
que as pessoas sentem
quando fere o espinho
cravado no coração.
Sejamos como as rosas
que mesmo repletas de espinhos
sorriem eternamente.
Dirceu lindolfo
imundo sentimento
que as pessoas sentem
quando fere o espinho
cravado no coração.
Sejamos como as rosas
que mesmo repletas de espinhos
sorriem eternamente.
Dirceu lindolfo
POÉTICA-----NÃO-----MENTE FALANDO
UM LAÇO QUE NÃO PRENDE
A poesia é um laço que não prende e o poeta não deve se preocupar em ganhar dinheiro com seu talento pois é raro viver da poesia e o comum é viver para a poesia.
A poesia está em tudo e não com tudo. A tudo complementa e é completa sozinha. Pode até casar com a música, mas jamais lhe será fiel.
A filosofia pode entrar na poesia pela porta dos fundos, mas não será poesia a filosofia em sua própria casa.
A poesia original é marginal e santificada: tem a bênção do povo e de Deus.
É um toque claro, que arranja a respiração, a circulação e a digestão da emoção. Não tem efeitos coliterais e enaltece o pobre e o rico, e ao mesmo tempo desmascara os dois.
A poesia é uma arma eficaz apontada contra o aprimoramento das conformidades sociais e serve apenas para a liberação, visto que é um laço que não prende.
Nos corações e nas vozes dos poetas e das poetas a poesia criou asas que o sol não derreterá.
DIRCEU LINDOLFO
A poesia é um laço que não prende e o poeta não deve se preocupar em ganhar dinheiro com seu talento pois é raro viver da poesia e o comum é viver para a poesia.
A poesia está em tudo e não com tudo. A tudo complementa e é completa sozinha. Pode até casar com a música, mas jamais lhe será fiel.
A filosofia pode entrar na poesia pela porta dos fundos, mas não será poesia a filosofia em sua própria casa.
A poesia original é marginal e santificada: tem a bênção do povo e de Deus.
É um toque claro, que arranja a respiração, a circulação e a digestão da emoção. Não tem efeitos coliterais e enaltece o pobre e o rico, e ao mesmo tempo desmascara os dois.
A poesia é uma arma eficaz apontada contra o aprimoramento das conformidades sociais e serve apenas para a liberação, visto que é um laço que não prende.
Nos corações e nas vozes dos poetas e das poetas a poesia criou asas que o sol não derreterá.
DIRCEU LINDOLFO
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