quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SOMBRA HORIZONTAL

A sombra horizontal felina
no muro marrom me atraindo
o ano que passa lição ensina
que o tempo vai me consumindo

Abala o ensejo e a novidade
é a tua ausência da cidade

Velocidade é sentir tão clara
lembrança de momentos tão felizes
rever em pensamentos jóias raras
e na pele do presente há cicatrizes

O momento aguardado da viagem
é o afago no abismo da miragem

A cidade sem a luz da tua aura
é noite sem fim não há aurora
um lamento um silêncio que instaura
é o passado invadindo o meu agora

Ah campeã da sensibilidade
sem você não há poesia na cidade

Sem você esta cidade é um jardim
cujo jardineiro tirou férias
e as rosas as hortências os jasmins
deixaram de sorrir ficaram sérias

Mesmo florido um jardim no abandono
é primavera em fantasia de outono

Fui na casa da Tininha ela falou:
e do céu então caía um aguaceiro
- "A Ilse foi-se embora ela mudou
está morando lá no Rio de Janeiro"

Então compreendi naquela hora
a chuva caindo é o céu que chora

Mas eu não nasci para a tristeza
preciso do sorriso pra ir seguindo
disse ao Jefferson James com certeza
para a casa da Vera - vamos subindo

Vou lhe apresentar às tuas primas
preciso me encantar com novas rimas.
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Dirceu Lindolfo