Mapeio a infância dos ricos. Com temor vejo-as saindo para as escolas em ônibus que as buscam na porta de casa. Não há caminhada, companhias de amigos, espera na entrada, troca de figurinhas, amarelinha, esconde-esconde ou outras brincadeiras enquanto esperam a primeira aula. Chegam e entram. Podem até esquecer a tarefa do lar, mas jamais o celular, contato de primeiro grau. Nenhum relacionamento com estranhos, novas amizades parece crime. Uma tossinha vai ao hospital fazer uns quinze exames. A mensalidade escolar e o transporte é maior que o salário de mais da metade dos trabalhadores do país. Quando acaba as aulas vão para para suas casas, que parecem presídios de segurança máxima, é quase noite, então jantam, e ligam a tv de plasma ou LCD e pasmam diante de 760 canais, ou se deliciam com as amizades virtuais em seus pcs. Os pais, depois de se escalpelarem no inferno dos trânsitos por 2 ou 3 horas chegam e vêem seus anjinhos dormindo o sono dos justos. Amanhã será outro dia.
Filmo a infância dos pobres. Com pavor fotografo-as saindo de manhã com alguma companhia (muitas vezes um cachorrinho) ou sozinhas empurrando um carrinho e escolhendo no lixo o que sobrou do consumismo para venderem, ou algum resto de alimento para o café da manhã, um agasalho para o frio, um brinquedo quebrado quem sabe. Sonham acordados porque à noite é difícil sonhar na rua com a possibilidade de morrer, de frio ou da maldade comum dos perigos da noite. Seus pais não chegaram, seus pais não voltaram do trabalho, seus pais os fizeram e os entregaram para a vida de presente. Ninguém cuida dessas crianças mas a vuvuzela. BRASIL!
terça-feira, 22 de junho de 2010
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Este é o retrato fiel de uma realidade que vivemos e vivenciamos.
ResponderExcluirParabéns ao autor.