quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SOMBRA HORIZONTAL

A sombra horizontal felina
no muro marrom me atraindo
o ano que passa lição ensina
que o tempo vai me consumindo

Abala o ensejo e a novidade
é a tua ausência da cidade

Velocidade é sentir tão clara
lembrança de momentos tão felizes
rever em pensamentos jóias raras
e na pele do presente há cicatrizes

O momento aguardado da viagem
é o afago no abismo da miragem

A cidade sem a luz da tua aura
é noite sem fim não há aurora
um lamento um silêncio que instaura
é o passado invadindo o meu agora

Ah campeã da sensibilidade
sem você não há poesia na cidade

Sem você esta cidade é um jardim
cujo jardineiro tirou férias
e as rosas as hortências os jasmins
deixaram de sorrir ficaram sérias

Mesmo florido um jardim no abandono
é primavera em fantasia de outono

Fui na casa da Tininha ela falou:
e do céu então caía um aguaceiro
- "A Ilse foi-se embora ela mudou
está morando lá no Rio de Janeiro"

Então compreendi naquela hora
a chuva caindo é o céu que chora

Mas eu não nasci para a tristeza
preciso do sorriso pra ir seguindo
disse ao Jefferson James com certeza
para a casa da Vera - vamos subindo

Vou lhe apresentar às tuas primas
preciso me encantar com novas rimas.
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Dirceu Lindolfo

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PAINÉIS ILUMINADOS

dedicada ao meu Amigo e
Irmão - o poeta e filósofo
Demóstenes Winstom Diogo Rosa


Contemplai
Mergulhai nas visões
Sinta o vento das transformações

O poder do Amor
Não implora benefícios
Dos ofícios de ilusão

No mundo há recantos disponíveis
Para todas as canções
E não há abrigo mais seguro
Que o coração da Filosofia,
Berço da Poesia,
Atalho elegante no caminho da Fé
E da União.

Os Sonhadores de hoje
Apresentam painéis iluminados
Que serão apreciados com atraso.

Mesmo que este seja
O nosso mundo hoje,
Nossas almas,
Incansáveis de justiça,
Não fazem parte da cobiça
E da desagregação da vida.

Demóstenes,
Você vai fotografar,
No quintal da eternidade
Uma nova manhã nascendo
Ainda que seja tarde.

com irmandade:
Dirceu Lindolfo


terça-feira, 9 de agosto de 2011

POESIA NÃO É PAPEL

Poesia não é papel
risada não é sorriso
avião leva pro céu
mas não leva ao paraíso

Sentimento não é ilusão
imagem não é cinema
cinema é imagem em ação
poesia não é poema

Poesia é somente o dom
que o senso dotou o artista
é o silêncio que nasce do som
é o olho brilhando sem vista

Poesia é a declamação
é a lua olhando pra mim
é a grade que não é prisão
o começo que nunca tem fim

É o laço que nunca prende
o raio que não ilumina
claridade que a treva entende
aula que a escola não ensina

Ciência que o livro não vende
metade que a vida completa
é a noite que a estrela acende
na chama da luz do Poeta

Dirceu Lindolfo
(do livro "Observando as fotos
do futuro")


segunda-feira, 6 de junho de 2011

A BUSCA

Há uma semana atrás encontrei o seu Juca e ele me disse que foi com seu neto passear na mata e ao voltarem a sua aliança de casamento não estava em seu dedo. Ela havia ficado na mata, o que o deixou meio aborrecido. Falei a ele que poderíamos voltar lá e tentar encontrar a aliança.
Domingo combinamos de ir na busca. Nos preparamos e fomos em sua captura como quem procura uma agulha num palheiro
continua

sexta-feira, 11 de março de 2011

OUTRO CONTO DE NATAL

Sou músico, com todas as limitações. ANTES DE SER UM GRANDE MÚSICO, DESEJO SER UMA BOA PESSOA.
Graças a Deus sou poeta também, dizem; às vezes acredito.

Só fiz a introdução acima, para dizer que quando se está tocando é confortante saber a próxima nota a tocar.
O tempo pára numas notas quando se toca uma peça - é muito louco isto - doideira mesmo. Hoje senti isto e de agora digo que a vida que vive a gente sabe a próxima nota a tocar em nós - mas nós, hum, nem sabemos nada dessa canção - isto é incrível e admiro esta obscuridade. Um aviso de alguém para algo ou um acontecimento pode mudar a perspectiva de um dia e influir muito em nós.
Hoje é Ano Novo, estou na estrada - em boa Companhia de Reis. Abênção Padrinho - abênção Madrinha. Minha gratidão a todos irmãos e irmãs da Comunidade da Curva da Onça.

Dirceu LINDOLFO

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

VÔO E ANDO

Dentro do espelho você já estava
mas só se viu quando olhou
e a chuva já lhe molhava
no instante em que a olhava

corra atrás do material
já o espiritual voando se alcança
eu vou mas não vôo
se voasse eu avoava
e iria rapidinho
voando pra sua casa

como não sou passarinho
eu ando não tenho asa
se tivesse ia voando
direto pra sua casa

que bom se eu fosse anjo
Deus me faria com asa
e eu podia ir voando
agora pra sua casa

Dirceu LINDOLFO

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MOLEQUE CÉU

Moleque Céu
o que você faz aí em cima
com essas nuvens em desenhos
transformando em devaneios
todo olhar
que busca em você inspirações
ou atrativos filosóficos
ou esperanças de ver um querubim
ou um ovni
ou simplesmente ver os astros
mobiliando seus pastos

Eh Moleque
que canções de meteoros
tocam em seu mp1000
fazendo sucesso em todos os planetas
quais os cds voadores
a pirataria marciana
mais vende em Vênus

Ah Moleque
como pode ser assim tão aventureiro
e tão amado
pelos que sabem ouvir tuas estrelas
quantas luas e asteróides
erram em teus domínios
lentamente na velocidade da luz
enquanto o infinito
passeia em tua alma sem cautela

És o pai dos segredos
e o irmão dos mistérios
meu espelho conselheiro

Ah Moleque
quando olho para você
sinto vontade de ser livre assim também
sem deixar que meus planos
vivam minha vida
sem dosar meus passos
e somente existir
sem parar pra refletir
sem pensar em ficar,
em voltar
ou partir.

Dirceu Lindolfo