quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O PESO E A BALANÇA


com o pensamento

em JEFFERSON JAMES


Sempre te lembrarei

mesmo que você não queira

existe o fogo e a madeira

tem a viola e a enxada

existe o tudo

e não existe o nada

tem a cruz tem a espada


a flor do falso brilho da ilusão

acolhe a dor do falso brilho da paixão

há um hall de infelicidade

para cada angström de falsidade


Embora você não viva

a vida te manda embora

enquanto isto não acontece

que tal você ir vivendo

a tristeza a alegria

a noite também o dia

a solidão a companhia

as intenções as conclusões

a dúvida o otimismo

o desespero a esperança

o que sonhou o que pirou

o que parou o que balança


Há um manto invisível

sob os lamentos dos tropeços

e um ramo do impossível

na ante-câmara dos recomeços


Para entender o que passou

pra não temer o que virá

bastando o mal e o bem

o quem sabe e o amém

só o de hoje porém

o de ontem já era

o de amanhã, bem espera

o deserto e a primavera

o doce e o salgadinho

o suco e o uisquinho

a tv e o radinho

a balada e o rock`n`roll

a town e a capital

o diabo e Deus

os fiéis e os ateus


A balança pesa

mas não é preciso carregá-la


Você não fugirá

e verá se viver

você aprenderá nos seus dias

e se espantará

com a amizade o dinheiro

a dignidade a riqueza

a bondade a malvadeza

a inveja a beleza

a fala mansa da paz

os gritos loucos da guerra

a água o fogo

o ar e a terra

não liga não

não desliga não


DO LIVRO: "Lá vem as gotas-mel molhando a luz" (Livro inédito)

AUTOR: Dirceu LINDOLFO




sexta-feira, 28 de agosto de 2009

PEQUENO POEMA PELO SORRISO

Por quê a revolta febria com o mundo
imundo sentimento
que as pessoas sentem
quando fere o espinho
cravado no coração.
Sejamos como as rosas
que mesmo repletas de espinhos
sorriem eternamente.
Dirceu lindolfo

POÉTICA-----NÃO-----MENTE FALANDO

UM LAÇO QUE NÃO PRENDE

A poesia é um laço que não prende e o poeta não deve se preocupar em ganhar dinheiro com seu talento pois é raro viver da poesia e o comum é viver para a poesia.
A poesia está em tudo e não com tudo. A tudo complementa e é completa sozinha. Pode até casar com a música, mas jamais lhe será fiel.
A filosofia pode entrar na poesia pela porta dos fundos, mas não será poesia a filosofia em sua própria casa.
A poesia original é marginal e santificada: tem a bênção do povo e de Deus.
É um toque claro, que arranja a respiração, a circulação e a digestão da emoção. Não tem efeitos coliterais e enaltece o pobre e o rico, e ao mesmo tempo desmascara os dois.
A poesia é uma arma eficaz apontada contra o aprimoramento das conformidades sociais e serve apenas para a liberação, visto que é um laço que não prende.
Nos corações e nas vozes dos poetas e das poetas a poesia criou asas que o sol não derreterá.

DIRCEU LINDOLFO